Início de ano e a promessa de “vida nova”
- Izabella Rios

- há 6 dias
- 3 min de leitura
Como sair do ciclo do “agora vai” e construir mudanças possíveis na alimentação, nos hábitos e na relação com o corpo

Com a virada de ano, você anota várias metas com aquela certeza de que tudo vai ser diferente de agora em diante. Você diz que "agora vai" e promete mudar sua alimentação, se exercitar, dormir mais cedo ⟶ Procura nutricionista, se matricula na academia, compra livros para ler ao invés de rolar o feed no fim do dia...
Fica tão empolgada com os novos hábitos e a visão de um corpo magro e estilo de vida mais saudável que mergulha de cabeça nas promessas de ano novo. Só que aí começa a ficar pesado porque foram tantas mudanças — mudanças drásticas, diga-se de passagem — e os resultados que você tanto queria demoram a aparecer que você se questiona se realmente vale a pena tudo isso.
Você falta um treino e outro, até que já se foi um mês sem fazer check-in na academia;
Uma beliscada ou duas ao longo do dia vira sair da dieta em mais de um dia do fim de semana e, quando você foi ver, tem mais refeições fora do que dentro do plano;
Mexer no celular numa noite vira rolar o feed até dormir todos os dias (e acordar cansada e indisposta para se exercitar).
O tempo vai passando até que você está de vola à sua vida antiga — aquela que você disse que não seria mais a sua realidade! Você se vê presa no ciclo que vem repetindo há tantos anos, dezendo a si mesma que fracassou e "agora, só ano que vem"...
Se identificou até aqui, não foi? Pois é... eu sei bem! Essa é uma realidade bem comum no meu consultório! Mas fica calma que eu vou te dar orientações práticas do que fazer para realmente mudar e viver a vida que você tanto deseja:
Não escute seus pensamentos ansiosos e radicais! Aqueles pensamentos que, basicamente, te dizem para ser 8 ou 80: fazer muitas mudanças na sua alimentação, cortar certos alimentos porque são "engordantes", ir treinar 5 vezes por semana...
Tenha em mente que mudanças graduais e progressivas são muito mais sustentáveis. Mudar é visto como estressante para o seu cérebro, porque você está saindo da sua zona de conforto, onde tudo é conhecido e você sabe o que esperar.
Se quiser fazer lista de metas, tudo bem; mas escolha metas simples, flexíveis e atingíveis. Assim, você diminui a chance de desistir nos primeiros obstáculos e aumenta a sensação de capacidade ao longo do processo. Pense sempre que metas muito radicais tendem a gerar frustração, enquanto metas pequenas tendem a gerar constância. Exemplos de metas como essas são: comer frutas no café da manhã, beber 2 litros de água por dia, se exercitar 3 vezes por semana...
Não só liste suas metas, mas também liste estratégias, comportamentos, que você deve pôr em prática para atingí-las. Saber o que precisa ser feito torna os passos mais claros e até concretos. Em vez de “quero comer melhor”, por exemplo, pense em ações concretas: organizar horários de refeição, fazer lista de compras, estabelecer dia e horário para treinar...
Se lembre constantemente que é algo novo para você e não existe processo perfeito. Faltar um treino, furar a dieta ou dormir mais tarde uma noite não significa fracasso. Deslizes são naturais para todo mundo, até para quem já tem estes hábitos bem estabelecidos há anos (então, por que seria diferente com você? relaxa! tá tudo bem). Se acontecer de errar, olha para isso como forma de apredizados para saber o que precisa ser revisto.
Mudar hábitos, estilo de vida, a relação com a comida e com o próprio corpo é um processo que leva tempo; não algo que aocntece magicamente com a troca de ano no calendário. Talvez, antes de mudar quem você é, você precise rever mas a forma como você vem tentando fazer isso todos os anos. Porque, se esse ciclo tem se repetido há muito tempo, é porque o jeito como você tem feito não se encaixa em sua realidade...
Se você percebe que todo começo de ano repete o mesmo ciclo de promessas, culpa e desistência, talvez não seja falta de capacidade. Buscar ajuda profissional pode ser um passo importante para construir mudanças mais possíveis e duradouras. Se você se identifou, a terapia pode ajudar a construir uma relação mais saudável com a comida, com o corpo e com os hábitos, sem extremos e sem punição.
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Excelente Psicóloga e Futura Nutri