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Páscoa e compulsão alimentar: por que você sente que perde o controle com chocolate?

  • Foto do escritor: Izabella Rios
    Izabella Rios
  • 3 de abr.
  • 4 min de leitura

“Era só um pedacinho… mas quando eu vi, já tinha chutado o balde e comido bem mais do que eu pretendia”

Feriados como a Páscoa costumam vir com um mix de sentimentos e sensações contraditórios:

  • felicidade por passar um tempo em família, mas angústia por sair da dieta

  • calma por poder descansar no feriado e medo de sair da rotina

  • desejo pelas comidas típicas acompanhado de aflição de não conseguir "se controlar"


Esses tipos de pensamento e sentimentos costumam aparecer com força em feriados quando você tem uma relação ruim com a comida, em que você vive grandes altos e baixos com suas escolhas alimentres.


Nesses dias parece que o chocolate está em todo lugar: em casa, no trabalho, no feed do instagram... Quando você entra no mercado, é a primeira coisa que você vê. E se você aprendeu a viver sob regras rígidas em relação a comida e dieta, pode ser que, com ele, venha uma sensação difícil de conviver: é como se, diante de certos alimentos, você simplesmente perdesse o controle.


Pode ser que você interprete como falta de disciplina ou força de vontade, mas o que está acontecendo não tem tanto a ver com o chocolate e nem com a Páscoa. Esta é uma questão interna e profunda, que vem de muito antes: se trata da sua história com a comida, que provavelmente foi construída com regras rígidas, restrições desnecessárias e busca constante por controle alimentar.


Quando você passa dias (ou até semanas) tentando “comer certo”, evitando determinados alimentos, se policiando o tempo inteiro e sentindo culpa quando não consegue seguir exatamente o que planejou, o seu corpo e a sua mente não ficam neutros diante disso... Eles se sentem estressado e reagem a este controle severo. Geralmente, as maiores reações vêm em finais de semana ou feriados como este, ou seja, momentos em que você sai da rotina e alguns alimentos ficam mais disponíveis e, até mesmo, mais "permitidos" (como acontece na Páscoa com o chocolate).


Acaba sendo meio obrigatório comer o chocolate.

E tudo bem querer comer o chcolate! Afinal, ele é mesmo muito gostoso, a Páscoa só acontece uma vez ao ano e é o único momento em que a gente pode comer ovos de chcolate...


A questão e o problema não estão aqui, mas em como você vive isso


A sensação de “não consigo parar” ou "não tenho controle" faz parte de um ciclo que trabalho e busco quebrar com muitas pacientes:

Psicóloga Izabella Rios explica ciclo de compulsão alimentar
Restrição alimentar severa seguida de exagero ou compulsão alimentar ao ter acesso ao alimento "poribido", acompanhada de emoções desconfortável (culpa, frustração, ansiedade...), que levam ao desejo de compensar e, novamente, à restrição

É um ciclo que se retroalimento e quanto mais ele se repete, mais você passa a acreditar que o problema está em você e na sua "falta de controle" ou "falta de disciplina". Ele é reforçado por tentativas cada vez mais frequentes e frustrantes de autocontrole.


E aí você se pergunta "o que tem de errado comigo? Parece que todo mundo consegue se controlar e viver em paz..."

Mas talvez a pergunta precise ser outra: "o que me ensinaram ao longo da vida? Qual o papel da comida e do chocolate em minha vida?". Em vez de tentar entender por que você “perde o controle” na Páscoa, pode ser mais útil começar a observar sua história e de onde tirou que é obrigada a viver em controle o tempo inteiro. Porque isso não veio do nada e, quando o controle é extremo, ele não se sustenta por muito tempo.


A Páscoa, por si só, não é nem criou um problema com em sua vida. Ela só torna mais preceptível algo que já estava acontecendo, mas para o qual você não consegue ver com compaixão: uma relação com a comida marcada por tensão, vigilância e culpa. É por isso que o caminho não é se controlar ainda mais e, muito menos, prometer que vai “compensar depois”, porque só vai te prender mais ao ciclo que mostrei ali em cima.


O que é necessário mesmo é reconhecer que essa sensação de descontrole não é um defeito seu, mas uma resposta a uma relação com a comida que foi construída para te mante sob constante estresse.


Você não tem que se privar, você tem que mudar seu olhar sobre si mesma e sobre a comida...



Se a culpa é companhia quando você "fura a dieta" ou sai do plano, esse texto aqui pode te ajudar: "O segredo para sair da dieta sem sentir culpa depois"

E, se você percebe que essa relação com a comida tem sido cansativa, cheia de altos e baixos e difícil de lidar sozinha, a terapia pode ser um espaço importante pra entender isso com mais clareza e construir uma relação mais leve com a comida e com você mesma. Buscar ajuda profissional pode ser um passo importante para construir mudanças mais possíveis e duradouras.







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Izabella Rios Psicóloga de Mulheres
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