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O sofrimento invisível por trás dos transtornos alimentares

  • Foto do escritor: Izabella Rios
    Izabella Rios
  • 2 de jun.
  • 4 min de leitura


Os transtornos alimentares são condições de saúde mental muito graves e que afetam profundamente a relação comm a comida, com o corpo, com a autoestima e com a própria vida. Apesar disso, muitas vezes, eles são invisíveis, silenciosos e até socialmente reforçados.


Em vez de serem reconhecidos como fontes de sofrimento, diversos comportamentos adoecedores acabam sendo vistos como “disciplina”, “foco”, “força de vontade” ou “vida saudável”, o que faz com que muitas pessoas passem anos sem perceber a gravidade do que estão vivendo ou sem conseguir buscar ajuda profissional.


Grande parte deste sofrimento é permeado por culpa, medo do julgamento, vergonha, isolamento social, comparações excessivas e supervalorização da magreza. Vivemos em uma sociedade que frequentemente associa corpos magros a beleza, felicidade, sucesso, autocontrole e valor pessoal, enquanto corpos gordos continuam sendo alvo de estigma, críticas e exclusão.


Nesse contexto, torna-se cada vez mais difícil diferenciar cuidado de punição, saúde de obsessão e bem-estar de adoecimento!

Os transtornos alimentares costumam ocupar um lugar contraditório: o sofrimento é invisível ou não reconhecido justamente porque, muitas vezes, ele ou é validado socialmente ou é extremamente criticado. Assim, o que para algumas mulheres parece apenas “controle alimentar”, “disciplina” ou “determinação”, internamente pode refletir características centrais dos transtornos alimentares:

  • Medo intenso de engordar

  • Pensamentos obsessivos sobre comida e corpo

  • Culpa constante ao comer

  • Episódios de compulsão alimentar

  • Exaustão mental por pensar sempre em comida

  • Sofrimento psicológico crônico


E um ponto muito importante sobre os transtornos alimentares é a forte inflência social sobre eles, o que leva as redes sociais e a cultura da dieta a desempenharem um papel importante em seu desenvolvimento. O conteúdo consumido que você consome diariamente pode reforçar padrões corporais extremamente restritivos e inalcançáveis, normalizar práticas nocivas e banalizar comportamentos de prejudiciais.

O uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer, a romantização de corpos extremamente magros, a viralização de conteúdos gordofóbicos e a ideia de que determinados corpos precisam ser corrigidos tornam as mídias um ambiente em que o adoecimento deixa de parecer adoecimento.


É comum que o sofrimento seja disfarçado de autocuidado enquanto comportamentos prejudiciais recebem elogios e validação social


Os três principais transtornos alimentares


Anorexia nervosa

Considerada um dos transtornos psiquiátricos com maior taxa de mortalidade, a anorexia nervosa costuma surgir precocemente, principalmente na adolescência (por volta dos 12-17 anos de idade), e afeta principalmente meninas e mulheres, embora homens também possam apresentar o transtorno. Além das graves consequências físicas causadas pela restrição alimentar intensa, há extremo sofrimento emocional e um importante risco de s.u.i.c.í.d.i.o. A anorexia é fortemente influenciada pela pressão estética, pela cultura da magreza e pelos padrões irreais constantemente reforçados socialmente.


Bulimia nervosa

A bulimia nervosa é frequentemente mal compreendida: muitas pessoas acreditam que a bulimia se resume ao vômito autoinduzido, mas outros comportamentos são colocados em prática para evitar egordar. A bulimia envolve episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios, como os vômitos já citados, uso de laxantes e diuréticos, jejuns prolongados ou prática excessiva de exercícios físicos. Muitas mulheres e meninas com bulimia mantêm um peso considerado “normal”, o que dificulta ainda mais a validação e até identificação do sofrimento. A vergonha, a culpa e o medo do julgamento fazem com que muitas mulheres sofram em silêncio durante anos antes de procurar ajuda profissional.


Transtorno de Compulsão Alimentar

Outro transtorno bastante estigmatizado e invalidado é o transtorno de compulsão alimentar. Diferente do que muitas pessoas acreditam, compulsão alimentar não significa simplesmente “comer demais”, “não ter controle” ou exagerar no doce. Assim como os demais transtornos alimentares, é um transtorno complexo, marcado por episódios recorrentes de compulsão acompanhados de sofrimento intenso, culpa, sensação de perda de controle e impacto significativo na saúde emocional e na qualidade de vida. Muitas pessoas que sofrem com compulsão alimentar carregam anos de restrição, críticas ao corpo, tentativas frustradas de emagrecimento e internalização da gordofobia.



Por isso, falar sobre transtornos alimentares é tão importante

Quanto mais essas questões permanecem cercadas por silêncio, estigma e desinformação, mais difícil se torna o reconhecimento do sofrimento e a busca por tratamento adequado. A conscientização não serve apenas para informar, mas também para acolher, reduzir preconceitos e criar espaços mais seguros para que as pessoas possam pedir ajuda sem vergonha.



Tratamento dos transtornos alimentares

  • Envolve acompanhamento multiprofissional, incluindo: psicoterapia, psiquiatria, nutrição, fisioterapia e outros suportes médicos.

  • A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das mais indicadas e possui importante atuação no tratamento ao ajudar na identificação e modificação de pensamentos disfuncionais, regras rígidas, padrões de comportamento e crenças relacionadas ao corpo, ao peso e à alimentação.

  • Além disso, o apoio familiar, social e a construção de uma relação mais saudável com o corpo e com a comida também fazem parte do processo de recuperação.


Mas existe algo além que precisa acontecer: é necessário rever, enquanto sociedade, a forma como enxergamos os corpos, principalmente os femininos, e o quanto mulheres aprendem, desde cedo, a associar aparência física a valor pessoal. Afinal, a infância e as experiências vividas ao longo da vida deixam marcas profundas na forma como cada pessoa aprende a existir no próprio corpo.


Falar sobre transtornos alimentares é também falar sobre acolhimento, saúde mental, cultura, autoestima e humanidade. E conscientizar pode ser o primeiro passo para que alguém perceba que merece ajuda, cuidado e recuperação.



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Se você percebe que sua relação com a comida, com o corpo ou com o peso tem gerado sofrimento, saiba que você não precisa enfrentar isso sozinha. Buscar ajuda é um passo importante no processo de recuperação e o acolhimento adequado pode transformar essa caminhada.

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